No ambiente de negócios da atualidade, cada vez mais, as mudanças exigem quebra de paradigmas que implicam em verdadeira revolução na cultura das organizações. Esta revolução reordena prioridades, redireciona valores, muda conceito de certo e errado, apresenta novos focos de interesse, e indica maneiras diferentes de reagir quando metas não são alcançadas. Quando ouvimos o dito popular “deixe como está para ver como fica”, estamos constatando uma atitude comum que muitas pessoas assumem diante de uma situação sobre a qual elas têm poder de mudar. Este tipo de atitude parece indicar uma tendência em se aceitar a Mudança apenas quando é algo fora do nosso controle e a adotar a Continuidade como algo que faz parte da nossa forma natural de decidir e agir. Ou seja, “só vamos mudar se não tiver outro jeito”.
Para reforçar esta possível tendência, existe o provérbio de origem francesa: “quanto mais alguma coisa muda tanto mais inalterada permanece”.[1] Tanto o dito popular quanto o provérbio francês parecem acusar a existência de uma relação intrigante entre a Continuidade e a Mudança.
Se por um lado somos induzidos a continuar mantendo tudo constante, por outro lado recebemos um reforço quando nos dizem que não adianta mudar, pois algo permanece inalterado. Em outras palavras, os métodos convencionais de alterar as coisas, não provocam nenhuma mudança que dispense a necessidade de continuar na tentativa de mudar para melhor.
Parece que a mudança só se torna eficaz quando são eliminados os fatores que fazem com que a situação indesejável continue. Por isto, supõe-se que qualquer estudo que trate a mudança isolada do dilema “continuar ou mudar” é incompleto. Precisamos estudar a Mudança, em cada caso, através da compreensão do significado do que é continuar e do reconhecimento das conseqüências de manter o status quo.
"No início o sistema investiga o seu mundo e inventa a si mesmo enquanto faz experiências para criar seu padrão, sua fórmula de sucesso. Num fase posterior investiga-se, ignora-se, evita-se e ataca-se tudo que estiver fora de um padrão de sucesso estabelecido. Mas vai sempre existir um momento em que o sistema dá um salto para o novo e o diferente, procurando se reinventar sem compromisso com qualquer padrão estabelecido."
[1]"Plus ça change, plus c’est la même chose"