Se a Natureza quer fazer um HomemISe a Natureza quer fazer um HomemE eletrizar o coração de um Homem,E adestrar à força quer, um Homem,Se a Natureza quer treinar um HomemPara cumprir urna genial missão;E quando quer, de todo o coração,Criar um Homem tão ousado e grandeQue a sua fama ao mundo inteiro mande- Observai o seu método e caminhos!Como coroa sempre com espinhosAquele com quem ela simpatiza;Como o desbasta e como o martiriza,E a poderosos golpes e converteNum esboço de argila que diverteSomente a Natureza que o compreende- Enquanto o torturado coraçãoAos céus levanta a suplicante mão!Quando o seu bem a Natureza empreende,Como o abate, sem jamais quebrar,Como se serve de que vai sangrar!Como o derrete e não o deixa em paz,E com que artes ele sempre oA apresentar ao mundo sua luz...A Natureza sabe o que ela faz!IISe a Natureza quer pegar um Homem,E se deseja sacudir um Homem,E se pretende despertar um Homem;Se a Natureza quer fazer um HomemQue, no futuro, cumpra-lhe o decreto;Quando ela tenta, com habilidade,Quando deseja e quer, com ansiedade,Fazê-lo vigoroso, são, completo,Com que sagacidade ela o prepara!Como o aguilhoa com a sua vara,De que maneira o amola e como o enfezaE o faz nascer em meio da pobreza...Com desapontamentos sempre pungeO coração daquele que ela unge;Com que sagacidade ela o escondeE oculta, sem olhar ao menos onde,Soluce, embora o gênio, desprezadoE seu orgulho guarde esse passado!Manda-o combater mais arduamente,Fá-lo tão solitário que somenteAs mais altas mensagens do SenhorConsigam penetrar a sua dorÉ assim que a Natureza lhe clareiaDa hierarquia a impenetrável teia.E embora ele não possa compreender,Dá-lhe paixões ardentes a vencer!Como impiedosamente ela o esporeia,Com que terrível entusiasmo o fereSe acaso, acerbamente, ela o prefere!IIISe a Natureza quer nomear um Homem,E se ela quer dar forma para um Homem,E se ela quer domar, acaso, um Homem;Quando ela quer dar brio para um HomemExecutar missão quase celeste,Quando ela tenta o seu supremo testeQue há de imprimir a inconfundível marca- No que há de ser um Deus, ou o MonarcaQuando o dirige, e quando que o refreia,De modo a que seu corpo mal contenhaA inspiração ardente que o incendeia;E a sua ansiosa alma se mantenhaSempre anelante por um sonho esguio!Engana com ardis sua esperança,Lança-lhe em rosto novo desafio,No instante em que ele o alvo quase alcançaFaz uma selva - que limpar-lhe custe;Faz um deserto - para que se assuste,E para que ele o vença, se capaz...Assim a Natureza um Homem faz!IVEntão, para provar a sua ira,Uma montanha em seu caminho atira -E põe amarga escolha a sua frente:"Sobe ou perece!", diz-lhe, sorridente.Meditai no mistério da Intenção!Da Natureza o plano é tão clemente:Se compreendêssemos a sua mente!Os que o chamam cega, tolos são,Pois com o pé sangrante e laceradoÉ que o Espírito sobe, descuidado,Com entusiasmo e com vigor dobrado,Esses caminhos todos, que iluminaCom essa força ativa, que é divina;E do ardor manja a espada de aço,Para enfrentar o peso do fracasso;E mesmo na presença da derrota,Inda esperança em seu olhar se nota!Eis que é chegada a crise! Eis o gritoQue estas a pedir um Chefe ao Infinito!Só quando o povo implora salvação,É que ele vem governar a Nação...Então a Natureza diz-nos: "Tomem:Eu lhes entrego, finalmente, um Homem!
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